Custo de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS): Estudo de Caso da Unidade de Terapia Intensiva de Infectologia de Um Hospital Público em São Paulo

Chennyfer Dobbins Paes da Rosa, Denise Mathias, Claudia da Cunha Komata

Resumo


O gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (RSS) é um conjunto de procedimentos técnicos e legais para a gestão de resíduos em qualquer tipo de estabelecimentos de saúde. É sabido que os recursos existentes não são infinitos, logo, a redução dos custos ambientais pode contribuir na gestão do custo hospitalar. O objetivo foi estimar o custo das fases de manejo de RSS da unidade de terapia intensiva (UTI) para o setor público. A coleta de dados foi feita por meio de um roteiro de perguntas e observações no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, a partir do método de custeio ABC. Constatou-se ser mais onerosa a etapa de acondicionamento (40,68%), seguida por segregação (40,17%), o que se justifica por estarem associados aos salários da mão-de-obra de profissionais da saúde. O custo por dia do manejo dos RSS desde a segregação até a disposição final na UTI foi de 4.288,81 reais, ou 314,89 reais por leito-paciente/dia. Conhecer o custo de uma atividade permite analisar estratégias de negociação de preço do serviço. Os RSS são pouco lembrados no momento de precificar uma diária de UTI, creditados até como de valor irrelevante por muitos gestores, mas se não mensurado é possível que traga prejuízos à instituição.

 


Palavras-chave


resíduos de serviços de saúde, custos na gestão de resíduos de serviço de saúde, método de custeio abc, custos em saúde

Referências


ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (2012). Panorama dos resíduos sólidos no Brasil. São Paulo.

ANVISA – Agência Nacional de Saúde (2004). Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 306. Dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, de 7 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, dez. 10. Retrieved from: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2004/res0306_07_12_2004.html.

Azage, M. (2007). Assessment of healthcare waste generation rate & its management system in health centers of West Gojjam zone, Amhara Region. Dissertação de mestrado. Addis Ababa, Ethiopia: Addis Ababa University, Faculty of Medicine, Department of Community Health.

Bazrafshan E. & Mostafapoor K. (2011). Survey of medical waste characterization and management in Iran: a case study of Sistan and Baluchestan Province. Waste Manag Res, 29(4), 442-450.

Bentley, T. G. K.; Effros, R. M.; Palar, K. & Keeler, E. B. (2008). Waste in the U.S. health care system: a conceptual framework. The Milbank Quarterly, 86(4), 629-659. doi:10.1111/j.1468-0009.2008.00537.x.

Bittencourt, O. N. da S. & Kliemann Neto, F. J. (2001). Gestão hospitalar pelo método ABC – um estudo exploratório. In: Ching, H. Y. Manual de custos de instituições de saúde: sistemas tradicionais de custos e sistema de custeio baseado em atividades (ABC). São Paulo: Atlas.

Botelho, E. M. (2006). Custeio baseado em atividades - ABC: uma aplicação em uma organização hospitalar universitária. Tese de doutorado. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade. Universidade de São Paulo. São Paulo.

Bush, R. W. (2007). Reducing waste in US health care systems. JAMA 297(8), 871-4. fev. 28. PubMed PMID: 17327529.

Cao P., Toyabe S. & Akazawa K. (2006). Development of a practical costing method for hospitals. Journal of Experimental Medicine. 208(3), 213-224. Tohoku.

Carvalho J. M. & Castilho V. (2010). Cost management: the implementation of the ABC method in central sterilizing services. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 44(3), 734-741.

Chan, Y. C. (1993). Improving hospital cost accounting with activity-based costing. Health Care Management Review. 18(1), 71-77.

Cooper, R. & Kaplan, R. S. (1991). Profit priorities from activity-based costing. Harvard Business Review 69, (3), 130-135, May-June.

Debere, M. K., Gelaye, K. A., Alamdo, A. G. & Trifa, Z. M. (2013). Assessment of the health care waste generation rates and its management system in hospitals of Addis Ababa, Ethiopia, 2011. BMC Public Health, 13(28). Doi: 10.1186/1471-2458-13-28.

Dias, S. M. F. & Figueiredo, L.C. (1999). A educação ambiental como estratégia para a redução da geração de resíduos de serviços de saúde em hospital de Feira de Santana. In: Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Rio de Janeiro. ABES, 3608-3617.

Felice, S. Melo, A. D.; Anjos, C. F. D. et al; Miola, (2005). Emilio Ribas: a trajetória do Instituto de Infectologia Emilio Ribas no combate a aids: trabalho, esperança e solidariedade / Emilio Ribas: the trajetory of Emilio Ribas Infectology Institute at Acquired Immunodeficiency Syndrome combat: work, hope and solidarity. São Paulo; São Paulo(Estado). Secretria da Saúde. Assessoria de Comunicação; nov. 2005. 30 p. ilus, tab, graf.

Fonseca, E; Nóbrega, C. C. & Oliveira, A. G. (2005). Produção e taxa de geração de resíduos sólidos de serviços de saúde de hospitais de João Pessoa – Paraíba, In: 23° Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Campo Grande. Anais.

Gujral, S., Dongre, K., Bhindare, S. (2010). Activity-based costing methodology as tool for costing in hematopathology laboratory. Indian Journal of Pathology and Microbiology. 53(1), 68-74.

Haylamicheal, D. I., Dalvie, A. M, Yirsaw, D. B & Zegeye, A. H. (2011). Assessing the management of healthcare waste in Hawassa city, Ethiopia. Waste Manag Res, 29(8), 854-862.

Issam, A.; Yousef, S. & Mohammad, S. (2009). Management of HCW in circumstances of limited resources: a case study in the hospitals of Nablus city, Palestine. Waste Manag Res. 27(4), 305-312.

Kaplan, R. S. & Cooper, R. (1998). Custo e desempenho: administre seus custos para ser mais competitivo. 2°. ed. São Paulo: Futura.

Koyama, W. (2000). Lifestyle change improves individual health and lowers healthcare costs. Methods Inf Med. 39, 229-323

Komilis, D.; Fouki, A. & Papadopoulos, D. (2012). Hazardous medical waste generation rates of different categories of health-care facilities. Waste Manag 32, 1434–1441.

Brasil (2010). Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010. (2010). Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União. Ago. 3 2010. Retrived from: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 16 de abril de 2015.

Lievens, Y.; Van Den Bogaert, W. & Kesteloot, K. (2003). Activity-based costing: a practical model for cost calculation in radiotherapy. International Journal of Radiation Oncology BiologyPhysics. 57(2), 522-35.

Martins, E. & Rocha, W. (2010). Métodos de custeio comparados: custos e margens analisados sob diferentes perspectivas. São Paulo: Atlas.

McKay, N. L., Lemak C. H. (2006). Analyzing administrative costs in hospitals. Health Care Manage Rev, 31(4), 347-54. Oct-Dec. PubMed PMID: 17077709.

Nair, R. (2010). Activity-based costing methodology as tool for costing in hematopathology laboratory. Indian Journal of Pathology and Microbiology. 53(1), 68-74.

Nakagawa, M. (2001). ABC: custeio baseado em atividades. 2. ed. São Paulo: Atlas.

Noseworthy, J. (1999). National estimates of intensive care utilization and costs: Canada and United States. Crit Care Med. (18), 1282-1286.

Rajabi, A. & Dabiri, A. (2012). Applying activity based costing (ABC) Method to calculate cost price in hospital and remedy services. Iran J Public Health. 41(4), 100-107. Retrieved from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3481619/. Acesso em: 12 de abril de 2015.

Rede Interagencial de Informação para a Saúde - Ripsa. (2013). Indicadores Básicos para a Saúde no Brasil: Conceitos e Aplicações. Brasília: Organização Pan-Amricana de Saúde

Ridderstolpe, L; Johansson, A; Skau, T.; Rutberg, H. & Ahlfeldt H. (2002). Clinical process analysis and activity-based costing at a heart center. Journal of Medical Systems. 26(4), 309-322.

Ruoyan G., Chushi K., Lingzhong X., Xingzhou W., Yufei Z., Huijuan L., et al. (2009). Hospital medical waste management in Shandong Province, China. Waste Manag Res 27(4), 336-342.

Rutala, W. A. & Mayhall, C. G. (1992). Medical waste. Infection Control and Hospital Epidemiology, 13(1), 38-48.

Schneider, V. E.; Ben, F. & Carvalho, A. B. De. (2008). Análise comparativa dos custos ambientais relacionados ao gerenciamento de RSS em dois hospitais da região da Serra Gaúcha. Brasil. Revista AIDIS de Ingeniería y Ciencias Ambientales: Investigación desarollo y practica, 1(4). Recuperado em 14 de abril de 2015, de http://www.revistas.unam.mx/index.php/aidis/article/view/14479.

Shander, A., Hofmann, A., Ozawa, S., Theusinger, O. M., Gombotz, H. & Spahn, D. R. (2010). Activity-based costs of blood transfusions in surgical patients at four hospitals. Transfusion 50(4), 753-65. doi:10.1111/j.1537-2995.2009.02518.x. Epub 2009 Dec 9. PubMed PMID: 20003061.

Soares, S. R.; Castilhos Jr, A. B. & Macedo, M. C. (1997). Diagnóstico da produção de resíduos de serviços da saúde. Estudo de caso: Hospital Universitário Florianópolis – SC. In: 19° Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, 1783-1789. Foz do Iguaçu.

Stouthuysen, K.; Demeere, N. & Roodhooft F. (2009). Time-driven activity-based costing in anoutpatient clinic environment. Health Policy. 92(2-3), 296-304.

Teixeira, P. H. (2015). Terceirização com segurança. custos reais do tomador. Retrieved from: http://www.portaldeauditoria.com.br/tematica/terccomseg_custosreaiscomtomador.htm.Acesso em: 10 de abril de 2015.

Turney, Peter B. B. (2010). Activity-based costing: an emerging foundation of performance management. COST Management, July-August. pg. 27-29

Udpa, S. (1996). Activity-based costing form hospitals. Health Care Management Review. 21(3), 83-96.

Unimed BH. (2003). Parecer técnico de auditoria em saúde. Retrieved from: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0CCAQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.unimed.coop.br%2Fpct%2Fservlet%2FServletDownload%3Fid%3DMjE0NzQ5OTk5OQ%3D%3D&ei=98kzVePfFob7gwTkuoGYBQ&usg=AFQjCNHJwf9t7y_BXZo7xBG67jbg737WuA&bvm=bv.91071109,d.eXY&cad=rja. Acesso em: 12 de abril de 2015.

Yereli, A. N. (2009). Activity-based costing and its application in a Turkish University Hospital. AORN J., 89, 573–579.

WHO – World Health Organization. (2014). Safe management of wastes from health-care activities / edited by Y. Chartier et al. – 2nd ed. World Health Organization.


Texto completo: PDF



Rev. Gest. Ambient. Sustentabilidade, São Paulo, SP, Brasil. e-ISSN: 2316-9834

Rua Vergueiro, 235/249 - Liberdade, São Paulo - SP (Brasil), Cep: 01504-000

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional