Sustentabilidade Urbana por Meio de Análise de Tecnologias Renováveis no Transporte Público da Cidade de Curitiba

Alexandre Dullius, Erick Renan Xavier de Oliveira, Maclóvia Corrêa da Silva, Carlos Roberto Sanquetta

Resumo


Trabalhar questões de sustentabilidade no meio urbano é um dos grandes desafios da atualidade. Uma das formas de se alcançar metas deste porte é por meio da inserção de tecnologias sustentáveis no setor de transporte público. Pode-se citar exemplos como o uso de biocombustível em substituição aos combustíveis fósseis e também a adoção de ônibus elétrico híbrido. Substituições deste tipo vem sendo realizadas no transporte coletivo da cidade de Curitiba, Paraná, que tem sido pioneira neste tipo de gestão e que possui 1,7 veículos por habitante. Sendo assim, a proposta do artigo é questionar em que medida estas ações contribuem para a sustentabilidade do planeta. Para isto foi feita a quantificação de emissões dos veículos que compõem a frota de ônibus da cidade no período de um ano, com avaliação de testes de opacidades e emissões de Gases do Efeito Estufa [GEE]. No período, o setor de transporte público foi responsável pela emissão de aproximadamente 200.000 toneladas métricas de CO2 eq. O uso de biodiesel no transporte público de Curitiba evitou a emissão de aproximadamente 10.000 toneladas métricas de CO2. Os resultados dos testes de opacidade indicaram que o modelo híbrido operando a B100 emite cerca de 93% menos fumaça preta. Verificou-se que existe uma contribuição significativa por parte da cidade para reduzir a emissão de GEE. Pela análise econômica, se toda a frota da cidade de Curitiba fosse híbrida, com o total do volume de combustível utilizado, obter-se-ia uma economia de R$ 62.558.868,08, valor este que cobriria gastos com saúde pública advindos das emissões do transporte coletivo, por exemplo, de São Paulo, a cidade mais populosa da América do Sul.

Palavras-chave


Ônibus Híbrido; Emissões GEE; Transporte Coletivo.

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